Cheguei em uma empresa que vivia um momento tumultuado na gestão das pessoas: problemas com a qualidade do produto e do atendimento. Fui anunciado como o gerente-geral, com total autonomia. No meu primeiro dia de trabalho, fiz uma reunião com o diretor-geral. Ouvi suas queixas, dúvidas e problemas e pedi a ele que me entregasse um uniforme da fábrica, inclusive com os sapatos. A princípio, um pouco nervoso, ele estranhou o pedido e disse que tinha me contratado como gerente e não como peão de fábrica; e que precisava de alguém que, se necessário, mandasse todo mundo embora…  Olhei firme nos olhos dele e insisti: “fico no aguardo do
uniforme”.

No outro dia, devidamente uniformizado, iniciei minha jornada e passei também a almoçar com os colaboradores da fábrica – meus companheiros a partir dali. Comecei ouvindo um a um, sabendo das suas funções atuais, das suas experiências e habilidades, sonhos e desejos.  Aos poucos, fui misturando a minha alma com aquele grupo de pessoas. O que descobri é que o time precisava ser treinado e, o mais importante, que os funcionários precisavam ser ouvidos e colocados nas funções adequadas aos seus conhecimentos. Ouvi com atenção e respeito os motivos daquela insatisfação geral e providenciei soluções.

Momentos gratificantes para mim e muito importantes para a empresa: a cada dia era uma nova descoberta e, em dois anos, tínhamos uma empresa inserida em um ambiente agradável e equilibrado. Não foi uma tarefa fácil. Tivemos momentos de tensão, resistência às mudanças… Mas foi uma jornada memorável para a empresa e para os colaboradores, com reflexos significativos e fundamentais nas lideranças, diretoria e, inclusive, junto aos clientes.